Reminiscências da Infância
Crepúsculo no verão
Estrada com Urubu
Paisagem de Inverno II
Eucalipto Morto com Cerejeiras
Campos com Flores Brancas
Paisagem com Mangueirão
Paisagem com cerca
Uma cerca, um limite, ali havia ordem. O verde intensificando o lugar e as flores renascendo. A mudança nos matizes da vegetação, mudança de estação.
Paisagem com crepúsculo intenso
A oportunidade de observar o céu. A extensão do campo fazia-me sentir as forças luminosas e cromáticas emanadas do infinito. Uma tarde quente de verão a espera da brisa. O calor, expresso pelos matizes, lento, sufoca o ar.
Paisagem com casa sozinha
Uma pequena casa habitada na aurora de inverno contrasta com a exuberância do espaço. Um lugar ermo, habitado por um indivíduo solitário, levava-me a questionar a vida, o destino e o tempo.
Início da Primavera
Início da intensidade das cores na vegetação. Nascimento de uma nova luz sentida principalmente no frescor do vento e refletida pelo mato.
As pequenas flores nasciam protegidas pelo capim, era preciso desbravar o espaço para encontrá-las.
Depois da tempestade
Um espaço apenas para ser visto, longe. Não era permitido transpassar a cerca.
Paisagem de Outono com Estrada de Ferro
As nuvens prenunciando a Primavera, uma nova luz sobre a paisagem, uma mudança no tempo.
A estrada de ferro e meu pai, brincar perto dela era um jeito de não me perder e de ir até ele. Estes dois postes era o limite do meu território de exploração.
Paisagem com Taboa
Um momento de alegria, nadar no rio. A luz festiva do entorno. Um sol morno, típico das tardes de Primavera.
Eu dentro do rio olhando para fora dele o mato, o barranco. Os peixes se escondiam por baixo das plantas. Eu me divertia.
Paisagem chuvosa com bananeira
A tempestade como força conturbada e perturbadora, símbolo de força da natureza, e, as bananeiras como símbolo de sobrevivência e renovação.
As tempestades causavam medo e apreensão, principalmente, em minha mãe. As chuvas torrenciais não abalavam as bananeiras, me chamava atenção a condição delas de se manterem impassíveis diante da força da tempestade.
Noturno II
Uma nova perspectiva do espaço e do olhar. Noite, sombra e escuridão. Volta para casa aos Domingos em família.
O lado oposto da cidade, eu e amigos andando pelas ruas rodeadas de mato. A paisagem noturna já não incitava mais a imaginação e sim a curiosidade.
Noturno I
Uma visão noturna do caminho de volta para casa. Noite, sombra e escuridão. Luz e medo. Mais uma vez a personificação da paisagem. Arvores rangendo como gritos e lamentos.
Eu pensava enquanto voltávamos da casa de um conhecido de nossa família, o que acontecia naquele mato? O que tinha ali? Minha imaginação via na sombra formas adversas.
Nascer do Sol II
A luz com vários matizes iluminando a vegetação. Uma luz intensa com contrastes matinais permanece latente na memória.
Alguns minutos depois do romper da aurora, quando o azul do céu estava mais nítido, a luz com várias cores se fazia mais presente na vegetação.
Nascer do Sol I
O vislumbre das cores no céu. Um momento consciente da dinâmica em constante movimento das relações harmônicas e o tempo. O instante fugaz.
Um raro momento, poucas vezes me levantei tão cedo e vislumbrei o sol nascer. O romper da aurora. Nestes momentos eu olhava para o céu e pensava que Deus estava pintando.
Eucaliptos
Eram símbolos de força e movimento, enigmas dotados de desafios. Era mister dominá-los.
Quando moleque sempre me deparava com um deles, ou vários, e eu tinha que subir até onde podia.
Eucaliptos secos
Até as grandes forças se esvaem, uma vida de glória e majestade ressequida. O espaço observa essa destruição pelo tempo.
Um pouco mais velho, na adolescência, eu ainda me deparava com esses gigantes. A ressequidão deles me gerava um sentimento de desespero.
Entardecer
Uma visão recorrente: hora de voltar para casa. Olhar para o horizonte e regressar. Amanhã tem mais.
Fim da tarde, fim da brincadeira. Sempre havia mais para ser visto, o lado direito era menos conhecido, essas terras tinham donos. E, mesmo assim, por vezes, eu adentrava.
Céu de Verão
Era nítida a tensão e o peso no céu que antecediam as chuvas de verão e contrastavam com a luz do sol na leveza e no frescor do capim.
Eu não tinha relógio de pulso, me guiava pelo céu para saber a hora de voltar para casa e para me proteger das tempestades.
Bananeiras
As folhas vêm e vão. A bananeira após dar fruto é cortada e renasce. Uma estrutura em constante mudança. Camadas de vida e morte das folhas.
Enquanto menino eu percebia as mudanças nas bananeiras, me intrigava o ir e vir dos cachos de banana. Como era possível tanta força? Entregar o fruto e sobreviver a poda.
Árvores agitadas na primavera
A personificação da vegetação. Um ciclo de crescimento imaturidade, energia e passamento.
Ínicio da primavera (Primo Veri)
Quando a primavera surgia, era, dificilmente, sentida pelas flores. Raras eram as flores do campo. A luz, alegre, era, a que trazia a boa nova.
Manhã luminosa com caixa d'água
Mais uma manhã de janeiro, mais uma aventura, o dia está só começando. Uma ligeira parada para contemplar o céu.
Andando pela linha do trem
Início da intensidade das cores na vegetação. Nascimento de uma nova luz sentida principalmente no frescor do vento e refletida pelo mato.
As pequenas flores nasciam protegidas pelo capim, era preciso desbravar o espaço para encontrá-las.
Paisagem (com variações) em verde
Às vezes a beleza se transformava em verdes, variações sobre o mesmo tema, um universo, a luz configurada pelo sol, intenso.
Estrada Arenosa
O peso da areia, final de tarde, o mormaço e a fadiga tornavam a caminhada, a volta para casa, exaustiva. A extensão da estrada, o campo aberto criava uma dimensão intemporal.
Uma cerca de outrora
O cuidado se foi, só restaram marcas. O que outrora foi um aprisionamento, agora luta pela permanência. Uma visão do espaço que nos cerca.
Campo denso sob sol pesado
No auge do verão a luz intensa do sol refletida no capim alto, a umidade pronunciando a chuva tornava o ar pesado, denso – movimento da preguiça.
Cerca velha
Um lugar abandonado, a cerca não se faz mais necessária. A vegetação toma o seu lugar, não há sinal da humanidade. O mato alto intimida a aventura.
Estrada com bananeiras
Às vezes a estrada parecia não ter fim, exauria as forças. A paisagem ao redor parecia intemporal, imóvel. E, uma bananeira poderia ser fonte de energia.
Um lugar para encontrar
Um confronto com o tempo. A memória transformada: da dedicação ao abandono, da alegria a desolação, do passado ao presente.
Caixa d'água no inverno
Uma volta a infância, agora o abandono. A nitidez do caminho agora obscuro labirinto da vegetação.
Pequena reminiscência da infância
Sob um Céu Tempestuoso
Mais uma vez o céu impondo o limite e ao mesmo tempo preocupação para a minha mãe. É hora de obedecê-la. Um último olhar antes de ir para casa. O brilho da luz.
Mesmo querendo seguir adiante era hora de dar a última olhada para o caminho e voltar para casa. Minha mãe ficava inquieta se eu não chegasse antes da chuva
Paisagem de Inverno (Arvores Pálidas)
A palidez era sinônimo de frio. As cores se esfriaram. A mobilidade era restrita e o espaço não podia ser explorado.
Eu não me lembro de ter blusa de frio, eu não gostava de usá-las. Talvez por isso eu não tinha permissão para sair de casa nestes dias.
Paisagem com Eucaliptos
Uma lembrança do retorno. A imagem do caminho de volta para casa. Um símbolo da segurança do lar.
Com frequência eu saia de casa para explorar as redondezas, escondia meus chinelos na moita, e, brincava de pés descalços. Na volta para casa passava no esconderijo e calçava os chinelos para não levar bronca.
Paisagem com Estrada em Campo Aberto
O caminho que conduz à mãe, a busca da origem. Azul etéreo.
Em memória a minha mãe, Osana, a estrada conduz ao lugar de seu nascimento. Uma imagem presente. No final da grande curva a direita, o lugar.
Paisagem com Estação Ferroviária
A estação como tensão dominante e tudo concorre a esse ponto, simboliza a figura do meu e o amarelo a alegria ao vê-lo. O capim alto ao mesmo que alegre me remete hoje a sua ausência.
Uma lembrança de meu pai, a estação ferroviária onde ele trabalhava. Eu, costumeiramente, caminhava até ele nas férias escolares. Ficávamos sentados no pátio da estação olhando a paisagem, não conversávamos. Eram meus momentos preferidos.
Paisagem com Capim Alto
As vezes o movimento do capim, seu crescimento acentuado, rivalizava com o movimento das nuvens; a batalha entre o céu e a terra. Memória dessa agitação.
Em Manduri ventava muito por ser uma cidade plana, o céu mudava rápido, e, o capim sentia a força do vento, boa hora para brincar capim adentro.
Paisagem com caixa d’água
A caixa da água que abastecia as locomotivas a vapor mantinha em seu entorno o resquício de sua construção, os pedregulhos.
Era sempre o ponto de parada para abastecer o embornal de pano com os pedregulhos, a munição para o estingue.
Paisagem Chuvosa
A chuva intermitente do inverno, uma visão sem nitidez. A sensação era de ver a paisagem pelo vidro da janela.
Final de Verão
O tempo ainda quente, o chão ressequido. O calor prostando a vegetação.
Eu tinha muita preguiça, então, andar era uma saga dolorosa. O que salvava era que eu andava só de calção, nada mais cabia.
Crepúsculo
O vermelho alaranjado impondo um limite, uma barreira. O céu é o limite. Esta antiga estrada não mais me levava para algum lugar.
Esta estrada ficava perto da estação de trem, quando foi pavimentada uma parte dela ficou de fora.
Campo Aberto
Um imenso 'mar' de capim, o horizonte sem fim, as arvores como embarcações se afastam mar adentro. E o mourão como ancoradouro.
Brincadeiras infindáveis, frotas de navios rumo ao desconhecido. Chegaríamos ao final da terra? O tempo passava e não percebíamos, cada navio enfrentava seus próprios perigos.
Paisagem ao Entardecer
As paisagens são reminiscências do passado onde os matizes permanecem no presente. Os aspectos simbólicos expressos pelos vários elementos configuram o pensamento que indaga sobre a discórdia concórdia, sobre idas e vindas, mistérios e enigmas do espaço imanente, uma visão inquieta da infância.
Estrada Sob o Luar
A luz cheia permita ver claramente a paisagem com cada 'coisa' no seu lugar. A porteira e a cerca surgiam como aparições no tempo.
Quando eu via a mesma paisagem sob a luz da lua cheia as coisas mudavam, eu as via de outra maneira. Até o que não estava fisicamente ali, se fazia presente.
Entre a luz e a sombra
Dependendo da hora, a luz do sol produzia, pela intensidade, sombras profundas. Acentuando o contraste entre o amarelo do capim e os verdes da vegetação. Ao sair da sombra e adentrar à luz, paradoxalmente, os olhos fechavam.
A brincadeira era sair da sombra e ir para luz, os olhos fechavam rapidamente e riamos. Fazíamos repetidas vezes para nos divertirmos.
Céu Fechado
O céu dominado por nuvens. O reflexo da luz ilumina o capim viçoso. Uma luz dominada pelo branco brilha nos olhos.
Dias de mormaço, suador intenso, moleza. Dia de brincar de tiro ao alvo com o estilingue na sombra.
Aurora
A estrada que não conduzia a lugar algum, vista pela languidez da luz da manhã, um ar ainda úmido. Algumas manhãs de inverno eram geladas devido a geada, mas a luz era quente.
Algumas vezes pude sair bem cedinho para brincar geada. Eu colocava as mãos na vegetação coberta de gelo.
A Caminho do Horto
Um olhar de esguelha, imaginação fantasmagórica. O relance e o movimento estimulavam a formação de imagens.
As aparições estavam à espreita, eu receava ver se olhasse diretamente. Me apressava pelo caminho olhando sempre para frente.
Paisagem noturna com Jaguatirica
Das muitas estórias contadas pelos mais velhos, a imaginação cria realidades. Uma realidade criada pela mente infantil.
Durante as férias escolares, no início da noite, sentávamo-nos na área da casa de meu tio e ele contava estórias para nós, muitas envolvendo a jaguatirica.
Paisagem com Luz Amarela
Os matizes provocados pela luz do final da tarde geravam contrastes de intensidade.
Vários sinais eram motivos para voltar para casa. A luz amarelada era um deles, quando ela surgia, era chegada a hora.
Paisagem Com Linha de Trem
Algumas forças vitais da natureza são registradas como um todo, uma única luz.
A linha do trem era o que conduzia o percurso, o caminho, sua estrutura aço, prego e dormente criava uma força e segurança. Não me sentia perdido.
Pequena Paisagem de Inverno
No inverno a ressequidão do clima, do solo e da vegetação geravam diversas texturas.
Este era um dos poucos lugares ativamente explorados em outras estações do ano, e, no inverno não gerava curiosidade.
Árvores Agitadas
Os aspectos simbólicos expressos pelos vários elementos configuram o pensamento que indaga sobre a discórdia concórdia, sobre idas e vindas, mistérios e enigmas do espaço imanente, uma visão inquieta da infância.