Pintura
Paisagem ao Entardecer
As paisagens são reminiscências do passado onde os matizes permanecem no presente. Os aspectos simbólicos expressos pelos vários elementos configuram o pensamento que indaga sobre a discórdia concórdia, sobre idas e vindas, mistérios e enigmas do espaço imanente, uma visão inquieta da infância.
Campo Aberto
Um imenso 'mar' de capim, o horizonte sem fim, as arvores como embarcações se afastam mar adentro. E o mourão como ancoradouro.
Brincadeiras infindáveis, frotas de navios rumo ao desconhecido. Chegaríamos ao final da terra? O tempo passava e não percebíamos, cada navio enfrentava seus próprios perigos.
Estrada Sob o Luar
A luz cheia permita ver claramente a paisagem com cada 'coisa' no seu lugar. A porteira e a cerca surgiam como aparições no tempo.
Quando eu via a mesma paisagem sob a luz da lua cheia as coisas mudavam, eu as via de outra maneira. Até o que não estava fisicamente ali, se fazia presente.
Paisagem com caixa d’água
A caixa da água que abastecia as locomotivas a vapor mantinha em seu entorno o resquício de sua construção, os pedregulhos.
Era sempre o ponto de parada para abastecer o embornal de pano com os pedregulhos, a munição para o estingue.
Paisagem com Capim Alto
As vezes o movimento do capim, seu crescimento acentuado, rivalizava com o movimento das nuvens; a batalha entre o céu e a terra. Memória dessa agitação.
Em Manduri ventava muito por ser uma cidade plana, o céu mudava rápido, e, o capim sentia a força do vento, boa hora para brincar capim adentro.
Paisagem com Luz Amarela
Os matizes provocados pela luz do final da tarde geravam contrastes de intensidade.
Vários sinais eram motivos para voltar para casa. A luz amarelada era um deles, quando ela surgia, era chegada a hora.
Pequena Paisagem de Inverno
No inverno a ressequidão do clima, do solo e da vegetação geravam diversas texturas.
Este era um dos poucos lugares ativamente explorados em outras estações do ano, e, no inverno não gerava curiosidade.
Entre a luz e a sombra
Dependendo da hora, a luz do sol produzia, pela intensidade, sombras profundas. Acentuando o contraste entre o amarelo do capim e os verdes da vegetação. Ao sair da sombra e adentrar à luz, paradoxalmente, os olhos fechavam.
A brincadeira era sair da sombra e ir para luz, os olhos fechavam rapidamente e riamos. Fazíamos repetidas vezes para nos divertirmos.
Aurora
A estrada que não conduzia a lugar algum, vista pela languidez da luz da manhã, um ar ainda úmido. Algumas manhãs de inverno eram geladas devido a geada, mas a luz era quente.
Algumas vezes pude sair bem cedinho para brincar geada. Eu colocava as mãos na vegetação coberta de gelo.
Paisagem noturna com Jaguatirica
Das muitas estórias contadas pelos mais velhos, a imaginação cria realidades. Uma realidade criada pela mente infantil.
Durante as férias escolares, no início da noite, sentávamo-nos na área da casa de meu tio e ele contava estórias para nós, muitas envolvendo a jaguatirica.
Paisagem Com Linha de Trem
Algumas forças vitais da natureza são registradas como um todo, uma única luz.
A linha do trem era o que conduzia o percurso, o caminho, sua estrutura aço, prego e dormente criava uma força e segurança. Não me sentia perdido.
Caput Mortuum
A discordância entre corpo alma e espírito gera resíduos, restos insignificantes - (cabeças mortas).
Se a mente não estiver integrada ao seu corpo e ao espírito não compreendera o seu estado na terra, não resistirá a corporificação.
Olho da Destruição
Os olhos presenciam a destruição do espaço pelo tempo, observam o mundo impermanente e instabilidade de todas as coisas.
Percebemos as mudanças do mundo mais como destruição do que como renovação. A tendencia de nossa mente ser discordante e não concordante.
Figura Enigmática
Jogo constante de forças ocultas que nele agem e fora dele.
Figura Enigmática (estudo)
‘O enigma do ser. Quais elementos diferenciam a vida em cada pessoa. Expressa o ser humano como um enigma instável e mutável.’
Céu Fechado
O céu dominado por nuvens. O reflexo da luz ilumina o capim viçoso. Uma luz dominada pelo branco brilha nos olhos.
Dias de mormaço, suador intenso, moleza. Dia de brincar de tiro ao alvo com o estilingue na sombra.
Erítia e Héspera (à procura do jardim dos imortais)
O crepúsculo vespertino luz maravilhosa prestes a ocultar súbitas metamorfoses.
Oniros (Leda e Helena)
Diante de dois portais atravessam os sonhos: os que se cumprem e os que são enganadores com promessas que não se cumprem.
Elisa (À Presença da Loucura)
Uma figura destinada para enlouquecer. A raiva produz monstros.
Mona (Ironia Interna)
A imaginação configura ambiguidades, imagens interiores e exteriores - projeções intemporais.
Tabata (A Espera da Morte)
'Cortar os últimos laços entre a alma e o corpo e guiar-se para outra realidade'.
Quer (Diante da Fatalidade)
Diante da fatalidade, a morte ronda. A luz é perturbada pela escuridão da mente.
Suzy (Persistência da Tristeza)
A tristeza, a angústia e a miséria na escuridão. A natureza vislumbra sinais e manifestações.
Ágata (Encontro com o Engano)
A figura é uma aparição, questiona o engano. A cegueira da razão conduz à tolice e ao erro por ações irreflexivas.
A Caminho do Horto
Um olhar de esguelha, imaginação fantasmagórica. O relance e o movimento estimulavam a formação de imagens.
As aparições estavam à espreita, eu receava ver se olhasse diretamente. Me apressava pelo caminho olhando sempre para frente.
Árvores Agitadas
Os aspectos simbólicos expressos pelos vários elementos configuram o pensamento que indaga sobre a discórdia concórdia, sobre idas e vindas, mistérios e enigmas do espaço imanente, uma visão inquieta da infância.
Sophia
Deus In Terris
Ilusão
Labirinto
Concordia Discors
A unidade como forças e o fragmento como Ser. A unidade fragmentada, cada fragmento se reflete no Todo.
Pêndulo
Ansiedade e Inquietude
Substância e Propriedade
Luzes da Cidade
Odor da Carne
Terra Prometida
Lázaro
Silêncio
Metáfora da essência do homem e das coisas. Uma abertura para o mistério.
Figuras Agrupadas
A loucura transforma uma coisa em outra. O desaparecimento da individualidade – Ilusão.
Memória
Melancolia
Logos
Vênus
Discordia Concors
A discordância como matéria, coisas contrárias unem-se, experiências plásticas antinomios.
As Três Graças
A beleza antinômica - contradições antinaturais. A irregularidade simbólica, inquietante e exaltante.
O belo a partir da imperfeição, a oportunidade de uma nova realidade, atingir o que parecia antes ser impossível.
Serra Pelada (estudo)
‘Eu vi um filme com cenas de Serra Pelada. Um homem sendo carregado em meio a filas e filas de pessoas em busca do ouro. Para ele, o custo foi a vida e viveu a morte durante esta busca.’
Mulher com Vestido em Vermelho
‘Experimento de pintura plana, espaço mais fechado, menos iluminado, a luz que evidencia a condição da figura’.
A Preta
‘Experimento de pintura plana. Eu observava e via possibilidades, foi o início da abertura para estar com o outro’.
Mulher Sob Luz Amarela
‘Experimento de pintura plana, os elementos e as pessoas, as cores, o espaço, a mesa e garrafa, tudo era motivo de expressão pictórica.’
As Ciganas
Nelas buscam o futuro, suas formas de expressão mudam de acordo com a época em que vivem, porém as atitudes são sempre as mesmas, se movimentam continuamente pelos sinais.
O Morador de Rua
O homem se manifesta através das imagens interiores que a experiencia da vida lhe oferece. A medida que o homem vai experimentando a vida ele vai reagindo e essas reações são as imagens interiores, boas ou ruins. Essas imagens não são formulações do próprio pensamento.
Mulher retirante e filhos
A dura realidade sempre ligada a uma natureza insondável. A vida torna-se uma migração pelos prodígios do mundo.
A natureza insondável é o desconhecimento, a ignorância, as pessoas deslocam-se pelo mundo em busca das coisas enganosas.
Mulher Caracol
O homem ao andar pelo mundo carrega a sua experiencia da vida, acumulando o que tem nos seus anos de existência. Ela carrega tudo o que possui em seus ombros.
Natureza Morta com variações em Vermelho
‘Eu queria fazer variações de vermelhos, eles me remetem a minha mãe. Aqui eu fiz variações do matiz explorando o seu avanço e retrocesso.’
Natureza Morta com Garrafa Vermelha em Amarelo
Experimento de pintura plana. ‘Reduzi ainda mais o es- paço. Produzi a luz em função da intensidade cromática.'
Natureza Morta com Garrafa e Taça
Experimento de pintura plana. ‘Aqui a luz gera superfície e forma.’
Natureza Morta com Cálice e Melancia
‘Os ritmos em mim mudavam constantemente. Aqui eu busquei movimentos articulados e descontínuos.’
Menina Solitária
A solidão feminina desde a juvntude. ‘Eu passava e via os olhares distantes, a ausência de ter o outro, de estar acompanhada.’
Menino Loiro com Sapato Amarelo
Tenta se inserir no contexto da vida. Roupas, sapatos, fer- ramentas de inclusão. ‘Comecei a estudar tipos, a transposição de tipos a partir de ritmos.’
Menina Paralítica
‘Como era para ela estar ali imóvel e contida. Uma silenciosa luta. O conforto vem da cadeira. A condição de vida, a dificuldade e a luta me impactavam so- bremaneira.’
Menina com Vestido Preto
A beleza no dia a dia. A importância de ser ela enquanto aguarda.
Menina Pedinte
Simbolicamente o início do caminho, a busca por recursos. Neste trabalho o autor tinha 16 anos. Morava com os pais em Avaré. Ouvia Beatles por influência do irmão desde a infância.
Esta obra não está à venda.
Paisagem com Estação Ferroviária
A estação como tensão dominante e tudo concorre a esse ponto, simboliza a figura do meu e o amarelo a alegria ao vê-lo. O capim alto ao mesmo que alegre me remete hoje a sua ausência.
Uma lembrança de meu pai, a estação ferroviária onde ele trabalhava. Eu, costumeiramente, caminhava até ele nas férias escolares. Ficávamos sentados no pátio da estação olhando a paisagem, não conversávamos. Eram meus momentos preferidos.
Final de Verão
O tempo ainda quente, o chão ressequido. O calor prostando a vegetação.
Eu tinha muita preguiça, então, andar era uma saga dolorosa. O que salvava era que eu andava só de calção, nada mais cabia.
Paisagem com Estrada em Campo Aberto
O caminho que conduz à mãe, a busca da origem. Azul etéreo.
Em memória a minha mãe, Osana, a estrada conduz ao lugar de seu nascimento. Uma imagem presente. No final da grande curva a direita, o lugar.
Crepúsculo
O vermelho alaranjado impondo um limite, uma barreira. O céu é o limite. Esta antiga estrada não mais me levava para algum lugar.
Esta estrada ficava perto da estação de trem, quando foi pavimentada uma parte dela ficou de fora.
Figuras na Rua
Um novo mundo. Cenas das ruas do centro de São Paulo. ‘Era normal em meu caminho para a faculdade encontrar essas figuras.’
Esta obra não está à venda.
Sal da Terra
A discordância entre corpo alma e espírito gera resíduos, restos insignificantes - (cabeças mortas).
O indivíduo – estrutura material que incorpora ou dá concretude (realidade) a algo abstrato. 'Prima matéria ' que se corrompe e torna-se imperfeita.
Eucaliptos
Eram símbolos de força e movimento, enigmas dotados de desafios. Era mister dominá-los.
Quando moleque sempre me deparava com um deles, ou vários, e eu tinha que subir até onde podia.
Eucaliptos secos
Até as grandes forças se esvaem, uma vida de glória e majestade ressequida. O espaço observa essa destruição pelo tempo.
Um pouco mais velho, na adolescência, eu ainda me deparava com esses gigantes. A ressequidão deles me gerava um sentimento de desespero.
Paisagem de Inverno (Arvores Pálidas)
A palidez era sinônimo de frio. As cores se esfriaram. A mobilidade era restrita e o espaço não podia ser explorado.
Eu não me lembro de ter blusa de frio, eu não gostava de usá-las. Talvez por isso eu não tinha permissão para sair de casa nestes dias.
Paisagem com Eucaliptos
Uma lembrança do retorno. A imagem do caminho de volta para casa. Um símbolo da segurança do lar.
Com frequência eu saia de casa para explorar as redondezas, escondia meus chinelos na moita, e, brincava de pés descalços. Na volta para casa passava no esconderijo e calçava os chinelos para não levar bronca.
Paisagem Chuvosa
A chuva intermitente do inverno, uma visão sem nitidez. A sensação era de ver a paisagem pelo vidro da janela.
Bananeiras
As folhas vêm e vão. A bananeira após dar fruto é cortada e renasce. Uma estrutura em constante mudança. Camadas de vida e morte das folhas.
Enquanto menino eu percebia as mudanças nas bananeiras, me intrigava o ir e vir dos cachos de banana. Como era possível tanta força? Entregar o fruto e sobreviver a poda.
Noturno I
Uma visão noturna do caminho de volta para casa. Noite, sombra e escuridão. Luz e medo. Mais uma vez a personificação da paisagem. Arvores rangendo como gritos e lamentos.
Eu pensava enquanto voltávamos da casa de um conhecido de nossa família, o que acontecia naquele mato? O que tinha ali? Minha imaginação via na sombra formas adversas.
Paisagem com Taboa
Um momento de alegria, nadar no rio. A luz festiva do entorno. Um sol morno, típico das tardes de Primavera.
Eu dentro do rio olhando para fora dele o mato, o barranco. Os peixes se escondiam por baixo das plantas. Eu me divertia.
Entardecer
Uma visão recorrente: hora de voltar para casa. Olhar para o horizonte e regressar. Amanhã tem mais.
Fim da tarde, fim da brincadeira. Sempre havia mais para ser visto, o lado direito era menos conhecido, essas terras tinham donos. E, mesmo assim, por vezes, eu adentrava.
Noturno II
Uma nova perspectiva do espaço e do olhar. Noite, sombra e escuridão. Volta para casa aos Domingos em família.
O lado oposto da cidade, eu e amigos andando pelas ruas rodeadas de mato. A paisagem noturna já não incitava mais a imaginação e sim a curiosidade.
Céu de Verão
Era nítida a tensão e o peso no céu que antecediam as chuvas de verão e contrastavam com a luz do sol na leveza e no frescor do capim.
Eu não tinha relógio de pulso, me guiava pelo céu para saber a hora de voltar para casa e para me proteger das tempestades.
Nascer do Sol I
O vislumbre das cores no céu. Um momento consciente da dinâmica em constante movimento das relações harmônicas e o tempo. O instante fugaz.
Um raro momento, poucas vezes me levantei tão cedo e vislumbrei o sol nascer. O romper da aurora. Nestes momentos eu olhava para o céu e pensava que Deus estava pintando.
Nascer do Sol II
A luz com vários matizes iluminando a vegetação. Uma luz intensa com contrastes matinais permanece latente na memória.
Alguns minutos depois do romper da aurora, quando o azul do céu estava mais nítido, a luz com várias cores se fazia mais presente na vegetação.
Paisagem de Outono com Estrada de Ferro
As nuvens prenunciando a Primavera, uma nova luz sobre a paisagem, uma mudança no tempo.
A estrada de ferro e meu pai, brincar perto dela era um jeito de não me perder e de ir até ele. Estes dois postes era o limite do meu território de exploração.
Sob um Céu Tempestuoso
Mais uma vez o céu impondo o limite e ao mesmo tempo preocupação para a minha mãe. É hora de obedecê-la. Um último olhar antes de ir para casa. O brilho da luz.
Mesmo querendo seguir adiante era hora de dar a última olhada para o caminho e voltar para casa. Minha mãe ficava inquieta se eu não chegasse antes da chuva
Paisagem Invernal I
A paisagem fria e implacável. Uma natureza em cuja luz o espaço desaparece e o tempo permanece.
Crucificação
Enxofre
A discordância entre corpo alma e espírito gera resíduos, restos insignificantes - (cabeças mortas).
A alma dá consciência a matéria. Força expansiva que arde, ativa, e desaparece em meio as dificuldades da percepção.
Memento Mori
"Lembre-se que es mortal". A morte não deve ser temida, mas elaborada. Cuide de si mesmo.
Transmutação
O poder de transformar a energia em algo que se eleva, porém, o desequibrio incorpora elementos nocivos e se distancia da essência.
Os Loucos
A loucura alucinante e absurda tende ao desespero, uma metáfora da mente disforme.
A mente desestrutura diante da loucura, onde todas as coisas assumem qualquer coisa não permitindo o contato com a realidade.
Ecce Ego (Quia vocasti me)
Decidido a não permitir que desta vez o tempo passe como a água sobre as pedras, sem deixar rastro.
Depois da tempestade
Um espaço apenas para ser visto, longe. Não era permitido transpassar a cerca.
Caixa d'água no inverno
Uma volta a infância, agora o abandono. A nitidez do caminho agora obscuro labirinto da vegetação.
Paisagem com casa sozinha
Uma pequena casa habitada na aurora de inverno contrasta com a exuberância do espaço. Um lugar ermo, habitado por um indivíduo solitário, levava-me a questionar a vida, o destino e o tempo.
Um lugar para encontrar
Um confronto com o tempo. A memória transformada: da dedicação ao abandono, da alegria a desolação, do passado ao presente.
Paisagem com crepúsculo intenso
A oportunidade de observar o céu. A extensão do campo fazia-me sentir as forças luminosas e cromáticas emanadas do infinito. Uma tarde quente de verão a espera da brisa. O calor, expresso pelos matizes, lento, sufoca o ar.
Paisagem com cerca
Uma cerca, um limite, ali havia ordem. O verde intensificando o lugar e as flores renascendo. A mudança nos matizes da vegetação, mudança de estação.
Estrada com bananeiras
Às vezes a estrada parecia não ter fim, exauria as forças. A paisagem ao redor parecia intemporal, imóvel. E, uma bananeira poderia ser fonte de energia.
Cerca velha
Um lugar abandonado, a cerca não se faz mais necessária. A vegetação toma o seu lugar, não há sinal da humanidade. O mato alto intimida a aventura.
Campo denso sob sol pesado
No auge do verão a luz intensa do sol refletida no capim alto, a umidade pronunciando a chuva tornava o ar pesado, denso – movimento da preguiça.
Uma cerca de outrora
O cuidado se foi, só restaram marcas. O que outrora foi um aprisionamento, agora luta pela permanência. Uma visão do espaço que nos cerca.
Estrada Arenosa
O peso da areia, final de tarde, o mormaço e a fadiga tornavam a caminhada, a volta para casa, exaustiva. A extensão da estrada, o campo aberto criava uma dimensão intemporal.
Paisagem (com variações) em verde
Às vezes a beleza se transformava em verdes, variações sobre o mesmo tema, um universo, a luz configurada pelo sol, intenso.
Andando pela linha do trem
Início da intensidade das cores na vegetação. Nascimento de uma nova luz sentida principalmente no frescor do vento e refletida pelo mato.
As pequenas flores nasciam protegidas pelo capim, era preciso desbravar o espaço para encontrá-las.
Manhã luminosa com caixa d'água
Mais uma manhã de janeiro, mais uma aventura, o dia está só começando. Uma ligeira parada para contemplar o céu.
Paisagem chuvosa com bananeira
A tempestade como força conturbada e perturbadora, símbolo de força da natureza, e, as bananeiras como símbolo de sobrevivência e renovação.
As tempestades causavam medo e apreensão, principalmente, em minha mãe. As chuvas torrenciais não abalavam as bananeiras, me chamava atenção a condição delas de se manterem impassíveis diante da força da tempestade.
Árvores agitadas na primavera
A personificação da vegetação. Um ciclo de crescimento imaturidade, energia e passamento.
Ínicio da primavera (Primo Veri)
Quando a primavera surgia, era, dificilmente, sentida pelas flores. Raras eram as flores do campo. A luz, alegre, era, a que trazia a boa nova.
Orgiástica
Vestido alaranjado com flor
"A cor plana como estrutura e espaço. Avanço e retrocesso dos níveis espaciais"
O Casal
Símbolos ‘comoventes’ da condição humana.
O menino da calça amarela
A sonolência perturbada pelo amarelo.
Início da Primavera
Início da intensidade das cores na vegetação. Nascimento de uma nova luz sentida principalmente no frescor do vento e refletida pelo mato.
As pequenas flores nasciam protegidas pelo capim, era preciso desbravar o espaço para encontrá-las.
Figuras em azul (noturno)
O azul como espaço para a frieza, monotonia e depressão.
Composição em cinzentos
Ecce Ego (Vobiscum Sum)
Resistir à percepção da Luz limita o entendimento, contrai as forças, aproxima a escuridão.
Paisagem com Mangueirão
Campos com Flores Brancas
Eucalipto Morto com Cerejeiras
Estrada com Urubu
Paisagem de Inverno II
Crepúsculo no verão
Paisagem com Árvore à sombra
Ecce Ego (Usque ad Morten)
Ecce Ego (Mitte Me)
Espelho I (Quimera)
A ideia fantasiosa,um desejo impossível, construção absurda e incoerente, dispares, não existe na realidade, é parte de uma concepção imaginária, luta contra forças que se mostram insuportáveis, a tentação de refletir contemplação e conhecimento.
Espelho II (Hornamento e Desencanto)
A contemplação da beleza, o brilho, a torna um elemento de enfeite, isento de fascínio interior, desmistifica, perde, surge o desengano, a ilusão tornar-se visível.
Espelho III (Aparência)
O que se mostra, o que é aparente, a semelhança entre realidades — reflexos dessemelhantes, um substrato da angústia, reações psíquicas e emoções além da conformidade entre corpo e percepção de sua forma.
Espelho IV (Fantasia)
A criação de mundos, desejos e frustrações, a vida em paralelo, imaginação e disfarce, imagens mentais oprimidas pela mais profunda felicidade e miséria.
Vestido Azul
A lembrança transforma-se em verdade. Os matizes permanecem pulsando na memória; azul e rosado, amarelo e alaranjado, com suas texturas, exteriorizam a pureza interior.
Vestido Amarelo
O vestido, as flores no jardim mantêm-se no ‘ dialogo ‘ com a percepção do passado, anima da consciência.
Vestido Azul-Esverdeado
Os matizes, fragmentos da reminiscência, competem, chocam-se numa atmosfera íntima, retrato da ‘ natureza ‘ de quem ali habita.
Paisagem (Parati)
Menina de Saia Listrada
Autorretrato com blusa vermelha e barba nascente
A maneira como se vê. Após a morte de seu pai e somente após organizar a vida da mãe muda-se para São Paulo. 1o ano de Bacharelado em Pintura, Gravura e Escultura na então Faculdade de Belas Artes de São Paulo. O autor tinha 21 anos.
Esta obra não está à venda.
Autorretrato com Blusa Vermelha
Autorretrato com Boina Vermelha
O Dinheiro
Menino de pulôver vermelho
Uma figura destoante pelas vestes e posturas, não era o ambiente interiorano.